Dica do Professor: Gestão estratégica das Organizações

By Comunicacão FAPPES 3 anos ago

“O negócio tá devagar, mas pelo menos não pago aluguel”: isso será mesmo bom?

Até quando esse argumento prejudica sua empresa? O imobilizado da sua empresa, que não está relacionado diretamente com seu Core Business, pode ser transformado em capital de giro ou investimentos para aumento da produção e outros projetos.

Em 1998 eu trabalhava em uma concessionária de energia elétrica quando ela foi privatizada. Meus novos “patrões”, a Enron Corporation, adotaram uma estratégia para geração de capital de giro até então pouco divulgada no Brasil: a conversão do imobilizado em disponibilidades, ou seja, transformar os ativos que não possuíam liquidez imediata em dinheiro em espécie ou direitos de alta liquidez, a fim de poder utilizá-los operacionalmente em médio e curto prazo.

Na época, minha empresa atendia 238 cidades, sendo que havia prédios próprios em cada uma delas para acomodar suas equipes e instalações. Portanto, o patrimônio da organização era enorme, porém, cerca de 80% encontrava-se no ativo não circulante sob a forma de imobilizado, acarretando dificuldades para o cumprimento das obrigações de curto e médio prazo.

A solução foi vender os prédios em cada cidade mediante contrato em que o valor seria aquém do mercado, mas sob a condição de que o comprador deveria reconstruir a edificação de forma padronizada e alugar à concessionária por 30 anos.

Desta forma, a organização garantiu recursos para investir em seus postes e equipamentos, além do cumprimento de suas obrigações, sem recorrer a linhas de créditos. Por outro lado, o novo proprietário comprou um imóvel por um preço abaixo do mercado e ainda garantiu um inquilino fiel e adimplente por 30 anos. O serviço de fornecimento de energia elétrica foi melhorado devido aos investimentos e todos osstakeholders foram beneficiados.

Assim como a Enron, as empresas devem procurar novas formas para captação de recursos noque tange o suprimento de capital de giro e investimentos. A adoção de empréstimos tornou-se tão rotineira que, em um trabalho de TCC que orientei, os entrevistados confundiam capital de giro com limite do cheque especial e linhas de créditos pré-aprovadas concedidas pelos bancos.

Considerando a afirmação de Hoji (2001, pág.109) de que “o capital de giro é conhecido também como capital circulante e corresponde aos recursos aplicados em ativos circulantes, que se transformam constantemente dentro do ciclo operacional”, pode-se considerar o capital de giro como um instrumento de autofinaciamento do core business da organização, ou seja, sua atividade principal. Portanto, recursos que não agregavam valor para a concessionária de energia elétrica, foram transformados em investimentos para suas linhas de transmissão de eletricidade e equipamentos, além de incrementar o capital de giro.

Quantas histórias ouvem-se de empresários que compraram um prédio para a sede de sua empresa em um local errado e tempos depois fecharam suas portas? Se houvessem locado o imóvel, provavelmente perceberiam outro local apropriado para seu negócio e se reinstalariam. Claro que uma boa pesquisa de mercado evitaria este recomeço, mas não faz parte da cultura empreendedora brasileira tal atitude.

Portanto, muitas vezes a sensação de segurança em se ter uma “sede própria” pode ser uma armadilha para a perenidade da empresa, haja vista que o prédio não é o objetivo principal da organização, mas sim a venda de seu produto ou serviço e a satisfação de seu cliente.

foto-wlad Professor Wlademir Aguar Piva, MBA em Finanças pela FGV
Referência Bibliográfica: HOJI, Masakasu. Administração financeira: uma abordagem prática. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2001.
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