É possível aproveitar sua criatividade na vida profissional?

By Comunicacão FAPPES 3 meses ago

Criatividade: aquela habilidade que é associada imediatamente a crianças e a profissionais que trabalham diretamente com alguma criação, como escritores e escritoras, artistas ou designers, certo? Bom, em partes.

É óbvio que essas áreas de atuação ou o período da infância remetem a um maior potencial criativo, mas atenção: ele é valorizado em qualquer fase da vida. Mais do que isso, a criatividade é uma característica fortemente desejável no mercado de trabalho e pode ser o grande diferencial da sua carreira.

O universo corporativo está atrás de um grande objetivo a todo momento: a inovação. E, para inovar, a criatividade é primordial, pois é ela que faz com que alguém veja velhos problemas por novos ângulos. Para fazer o novo, é preciso questionar o tradicional, não é mesmo?

Por esse motivo, a criatividade anda de mãos dadas com a coragem, outra grande queridinha do mercado. Mas o que é exatamente essa criatividade? Como desenvolver e aproveitar sua criatividade na vida profissional?

Se você se faz constantemente essas perguntas, está no lugar certo. Neste artigo, vamos tentar respondê-las e ajudar você a se tornar uma pessoa mais criativa e diferenciada no cenário atual, tão competitivo. Podemos começar?

Afinal, o que é essa tal criatividade de que estamos falando?

Vamos voltar, por um momento, à sua infância. Você se lembra do que gostava de brincar? De quais perguntas curiosas fazia para seu pai, sua mãe, seus familiares? Como conferia funções inusitadas a objetos do cotidiano?

Quando somos crianças, os filtros sociais da vida adulta ainda não nos alcançaram e, por isso, nosso impulso criativo está na máxima potência. Já reparou como os pequenos e as pequenas geralmente não têm medo de se expor e criam maneiras próprias de expressão sem medo de caírem no ridículo?

Vamos a um exemplo: em uma festa de aniversário, pessoas adultas e crianças recebem um chamado para cantar uma música em público. Enquanto as crianças vão cantar sem medo de soarem desafinadas, errarem a letra ou parecerem bobas, adultos provavelmente vão rir, olhar para o lado, tentar fugir da situação, tudo por medo de julgamento.

Mas toda essa criatividade pode ser podada na infância, e isso infelizmente acontece muitas vezes. É por esse motivo que existem poucas pessoas adultas de fato criativas e confortáveis com a criatividade. Isso porque, ao longo da vida, regras sociais e expectativas chegam para deixar tudo muito “quadrado”.

No livro “O espírito criativo”, a Dra. Amabile afirma que existem algumas razões para que as crianças criativas sejam podadas e moldadas pela educação. De forma simplificada, elas são:

  • Vigilância: quanto mais uma criança é observada sistematicamente, mais tende a se retrair e não assumir riscos;
  • Avaliação: é uma forma de introdução do julgamento que constrange as crianças e faz com que elas passem a esperá-lo;
  • Recompensas: quando há uso de prêmios em excesso (recompensas em brinquedos, dinheiros, medalhas) a tendência é que a criança seja privada do prazer da atividade criativa por si só;
  • Competição: incentivar crianças a serem competitivas é fazer com que se preocupem demais com quem vence e quem perde, e apenas uma delas estará no topo e o sucesso não pode ser medido dessa maneira;
  • Restrição de escolha: é quando dizem à criança o que ela deve fazer e como, em vez de deixá-la experimentar pela curiosidade ou paixão;
  • Pressão: crianças são pressionadas quando nelas depositam expectativas grandiosas, “forçam a barra” no seu aprendizado, exigindo mais do que elas estão preparadas para oferecer.

Ou seja: a essa altura, você já percebeu que boa parte da sua educação fez com que você deixasse, pouco a pouco, sua criatividade de lado para se encaixar nas regras sociais esperadas, certo?

Mas, ao mesmo tempo em que essa sociedade exige o cumprimento das normas e convenções, ela quer que “pensemos fora da caixa” para nos destacarmos. É o que veremos a seguir.

Mas como, de forma prática, a criatividade impacta uma carreira profissional?

Falando assim, parece um paradoxo — e de fato é. Você, com certeza, já ouviu que deveria fazer algo desse ou daquele jeito para se enquadrar no mercado de trabalho, mas esse mesmo mercado que pede alguma padronização exige que você se diferencie.

Fato é que a criatividade está ligada à ousadia, ao impulso de fazer diferente. E, se vemos empresas novas ou mais experientes se afundarem nos mesmos problemas, é porque algo está errado na forma de lidar com eles. E é por isso que a criatividade é desejável.

Profissionais mais criativos e criativas têm mais chances de encontrar soluções inusitadas para algumas circunstâncias porque não têm medo de pensar no impensável. Não têm medo de se expor, de errar, de tentar quantas vezes for preciso uma resolução que fuja daquilo já estabelecido e, por isso mesmo, gere resultados ainda não vistos. Ou seja: não são pessoas mornas ou convencionais.

E isso vale para todas as áreas. Nada de achar, por exemplo, que profissionais de Exatas não precisam ser criativos e criativas. Pelo contrário, a criatividade é o elemento surpresa para a lógica e pode ser o grande ponto de virada.

Muitas empresas têm costume de realizar o brainstorm — uma verdadeira tempestade de ideias — no cotidiano. Nesse caso, grandes projetos podem ser lapidados a partir de ideias que surgem de forma intempestiva e inicialmente sem muito filtro.

Tenha em mente que todo o repertório que você tem (filmes vistos, livros de ficção lidos, pinturas apreciadas, músicas ouvidas) podem ser um gatilho para que você encontre soluções mais inteligentes e dinâmicas para seu cotidiano profissional.

A universidade pode acabar com sua criatividade ou alavancá-la?

Há quem diga que a universidade, em vez de impulsionar sonhos e criatividade, aprisiona. De certa perspectiva, isso pode fazer sentido, uma vez que, para se formar, é preciso cumprir disciplinas obrigatórias de uma grade curricular, muitas vezes pouco maleável.

De fato, algumas matérias são incontornáveis e podem soar mais do mesmo, especialmente quando são centrais em um curso e se apresentam em vários semestres (matemática I, II e III, por exemplo). Porém, o ensino superior não precisa colocar seu potencial criativo na gaiola.

Para garantir que isso não aconteça, alguns cuidados são necessários. A escolha da instituição de ensino, por exemplo, deve levar em conta propostas pedagógicas mais abertas e que incentivem a criatividade.

Além disso, alunos e alunas podem tirar o máximo de proveito da estrutura que a instituição apresenta para não serem reféns da tal grade curricular. Laboratórios, oficinas, iniciativas de apoio ao empreendedorismo e incentivo a intercâmbios e outras experiências, eventos interdisciplinares e o próprio contato com professores e professoras podem ampliar seus horizontes.

Cursos que garantem autonomia de estudantes e valorizam a prática, priorizando a experimentação em vez do aprendizado “decoreba”, são ideais para quem quer fazer bom uso da criatividade na vida profissional.

Lembre-se: a liberdade de escolha de curso e instituição também faz parte de um processo criativo de entender o que você quer e quais são as melhores estratégias para alcançar seus objetivos.

E então, entendeu como é possível aproveitar sua criatividade na vida profissional? Se gostou do nosso material especial, que tal compartilhá-lo nas suas redes sociais?!

Boa sorte em sua jornada criativa! \o/

Categories:
  Carreira, Empreendedorismo, Inovação, Mercado de Trabalho, Metodologia Ativa, Sala de Aula Invertida

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